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Problemas de saúde comuns em ratos

Ratos são animais pequenos, sensíveis e muito bons em esconder sinais de doença. Por isso, quando um tutor percebe que algo está errado, muitas vezes o problema já não está tão no começo assim.

Este texto não substitui consulta veterinária. A ideia aqui é ajudar você a reconhecer sinais de alerta, entender o que pode estar acontecendo e procurar atendimento com mais rapidez quando necessário.

Sempre que possível, procure um veterinário com experiência em animais exóticos ou pequenos mamíferos.

 

Indicadores gerais que algo não vai bem

Ratos costumam ser mais ativos no fim do dia e à noite, mas cada rato tem sua própria rotina. Por isso, uma das coisas mais importantes que o tutor pode fazer é conhecer bem o comportamento normal dos seus animais.

Observe como eles comem, dormem, brincam, interagem com o grupo, aceitam petiscos, se movimentam e reagem quando você chega perto. Quanto melhor você conhece seus ratos, mais fácil fica perceber quando algo mudou.

Alguns sinais de alerta são:

  • ficar isolado do grupo;

  • parar de participar das interações habituais;

  • ficar mais agressivo ou defensivo de repente;

  • parecer letárgico, quieto demais ou “apagado”;

  • perder interesse por petiscos;

  • não demonstrar curiosidade pelo ambiente;

  • ficar encolhido;

  • apresentar pelos arrepiados, ásperos ou sem brilho;

  • respirar com esforço;

  • perder peso;

  • comer menos;

  • beber muito mais ou muito menos que o normal;

  • apresentar secreções, feridas, caroços ou alteração na postura.

Não pense que, só porque o rato ainda está comendo, ele está bem. Ratos podem continuar comendo mesmo estando doentes, com dor ou em início de um problema mais sério. O apetite é importante, mas não deve ser usado como único critério para avaliar saúde.

Se você percebeu que seu rato “não está normal”, leve isso a sério, mesmo que seja sutil.

Porfirina

 

Os olhos do rato devem estar brilhantes, limpos e atentos. O nariz também deve estar limpo, sem excesso de secreção.

Muita gente se assusta ao ver uma secreção avermelhada nos olhos ou no nariz do rato e pensa que é sangue. Na maioria das vezes, não é. Essa secreção costuma ser porfirina, um pigmento produzido pelas glândulas de Harder, que pode aparecer como uma mancha avermelhada ou cor de ferrugem ao redor dos olhos e narinas.

Uma pequena quantidade ocasional pode acontecer, principalmente ao acordar ou em situações de estresse. Mas excesso de porfirina, porfirina frequente, acúmulo ao redor dos olhos e nariz, ou porfirina acompanhada de outros sintomas pode indicar que algo não vai bem.

Ela pode aparecer em situações de estresse, dor, doença respiratória, mudança de ambiente, queda de imunidade ou outros problemas de saúde.

Se o rato também estiver espirrando, chiando, respirando diferente, emagrecendo, ficando quieto, com pelos arrepiados ou comendo menos, não trate como algo normal. Procure um veterinário.

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Espirros / Chiados / Barulho ao respirar

 

Problemas respiratórios são muito comuns em ratos e devem ser levados a sério.

Espirros ocasionais podem acontecer, especialmente em situações de poeira, troca de substrato, cheiros fortes, mudança de ambiente ou irritação leve. Mas espirros frequentes, prolongados ou acompanhados de outros sinais precisam de atenção.

Sinais preocupantes incluem:

  • chiado;

  • ronco;

  • barulho úmido ao respirar;

  • respiração acelerada;

  • esforço abdominal para respirar;

  • respiração com o corpo balançando;

  • secreção nasal;

  • excesso de porfirina;

  • apatia;

  • perda de peso;

  • pelos arrepiados;

  • ficar encolhido;

  • dificuldade para comer;

  • respiração de boca aberta.

Respiração de boca aberta é emergência.

A micoplasmose é uma doença respiratória muito comum em ratos e pode estar envolvida em quadros respiratórios crônicos. Mas ela não é a única possibilidade. Infecções bacterianas secundárias, pneumonia, irritantes ambientais, baixa ventilação, substrato inadequado, amônia acumulada na gaiola e outros fatores também podem piorar ou desencadear sintomas respiratórios.

Quanto antes o tratamento correto começa, melhor. Problemas respiratórios não tratados podem evoluir e causar danos importantes.

Não tente tratar “no ouvido”, com antibiótico que sobrou de outro animal ou com receita antiga. Em ratos, dose, associação de medicamentos, tempo de tratamento e gravidade do caso fazem muita diferença.

Tumores

Ratos têm predisposição a desenvolver tumores, especialmente conforme envelhecem. Em fêmeas, tumores mamários são bastante comuns, mas machos também podem apresentar massas e nódulos.

Muitos tumores mamários em ratos são benignos, como os fibroadenomas. Mesmo assim, “benigno” não significa inofensivo. Eles podem crescer rápido, atrapalhar a locomoção, ulcerar, infeccionar, sangrar e comprometer a qualidade de vida do animal.

Por isso, qualquer caroço deve ser avaliado por veterinário.

Não espere muito “para ver se cresce”. Em ratos, massas podem mudar de tamanho rapidamente, e a chance de uma cirurgia ser mais tranquila costuma ser maior quando o tumor ainda está pequeno e o animal está em boas condições gerais.

Caroços podem aparecer em várias regiões do corpo, inclusive axilas, virilha, barriga, pescoço, flancos e região próxima às mamas. Como o tecido mamário dos ratos é distribuído por uma área extensa, tumores mamários nem sempre aparecem apenas na barriga.

Também existem tumores mais graves, como tumores da glândula de Zymbal, que costumam aparecer próximos à base da orelha e têm prognóstico ruim, e tumores de hipófise, que podem causar sinais neurológicos.

Sinais que merecem atenção:

  • caroços sob a pele;

  • aumento rápido de volume;

  • feridas sobre uma massa;

  • sangramento;

  • secreção;

  • mau cheiro;

  • dificuldade de andar;

  • alteração neurológica;

  • perda de coordenação;

  • dificuldade para segurar comida;

  • inclinação da cabeça;

  • apatia.

Nem todo caroço é tumor, mas todo caroço deve ser avaliado.

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Obesidade

 

Ratos acima do peso tendem a ter pior qualidade de vida. A obesidade pode dificultar a locomoção, reduzir atividade, piorar higiene, aumentar risco de pododermatite e favorecer outros problemas metabólicos e cardiovasculares.

A dieta dos ratos deve ser equilibrada, com ração adequada como base e petiscos em quantidade controlada.

Ratos são muito parecidos conosco em uma coisa: se puderem escolher livremente, muitos vão preferir alimentos mais gordurosos, doces ou calóricos. Mas gostar não significa que faz bem.

Cabe ao tutor controlar a rotina alimentar, evitar excesso de guloseimas e garantir que os ratos tenham oportunidade de se movimentar, escalar, explorar e forragear.

Um rato saudável não precisa ser magro demais, mas também não deve ter dificuldade para se limpar, andar, escalar ou se movimentar por excesso de peso.

Problemas de pele

Coceira, falhas no pelo, crostas, feridas e descamação podem ter várias causas.

Parasitas externos, como ácaros e piolhos, podem causar coceira intensa e lesões provocadas pelo ato de se coçar. Mas nem toda falha de pelo é parasita.

Outras possibilidades incluem:

  • alergias;

  • dermatites;

  • irritação por produtos de limpeza;

  • reação a substrato;

  • banhos inadequados;

  • excesso de umidade;

  • feridas por brigas;

  • barbering, quando o próprio rato ou outro rato rói os pelos;

  • dor;

  • estresse;

  • problemas nutricionais;

  • infecções de pele.

Banhos com shampoo, sabonete ou produtos perfumados podem irritar a pele e não devem fazer parte da rotina dos ratos. Ratos saudáveis se limpam sozinhos. Quando há mau cheiro forte, sujeira constante ou alteração na pele, é melhor investigar a causa em vez de apenas dar banho.

A selamectina, conhecida comercialmente em algumas marcas como Revolution, é usada em ratos para alguns parasitas externos. A dose depende do peso, da concentração do produto então busque sempre orientação veterinária.

Não use antipulgas, sprays, talcos, medicamentos para cães ou gatos, ivermectina injetável ou produtos aleatórios sem orientação. Ratos são pequenos, e erros de dose podem ser muito perigosos.

Se houver muita coceira, feridas, crostas, queda de pelo ou vários ratos afetados, procure um veterinário.

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Infecções de ouvido

Otite é inflamação ou infecção no ouvido. Pode afetar o ouvido externo, médio ou interno.

A otite externa pode estar relacionada a parasitas, bactérias, fungos, leveduras, alergias, irritações, doenças de pele ou outros problemas. Já otites média e interna podem estar associadas a infecções respiratórias ou à progressão de uma infecção.

Sinais de otite externa podem incluir:

  • coçar muito a orelha;

  • feridas ou descamação na região da orelha;

  • vermelhidão;

  • secreção (pus, sangue ou cera);

  • mau cheiro;

  • dor ao tocar;

  • inchaço;

  • irritação;

  • crostas.

  • crescimento incomum de tecido dentro (pólipo) ou ao redor da orelha.

Quando o ouvido médio ou interno é afetado, podem aparecer sinais neurológicos e vestibulares, como:

  • cabeça inclinada para um lado;

  • perda de equilíbrio;

  • andar em círculos;

  • rolar;

  • dificuldade de se orientar;

  • coçar a orelha;

  • esfregar a cabeça no chão;

  • secreção com cheiro desagradável ou doce do ouvido em infecções mais avançadas;

  • alteração nos olhos;

  • paralisia facial em casos mais graves.

A inclinação da cabeça, conhecida como head tilt, é frequentemente associada a infecção de ouvido interno em ratos, mas não é exclusiva de otite.

 

Tumor de hipófise, trauma, AVC, abscessos, problemas neurológicos e outras doenças também podem causar sinais parecidos.

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Acidente Vascular cerebral

 

AVC não parece ser uma das causas mais comuns de alteração neurológica em ratos pets, mas pode acontecer. O problema é que muitos tutores chamam qualquer perda de equilíbrio, cabeça torta ou alteração súbita de “AVC”, quando na verdade pode ser otite interna, tumor de hipófise, trauma, abscesso, infecção ou outro problema neurológico.

Um acidente vascular cerebral acontece quando há interrupção ou alteração importante na circulação sanguínea do cérebro. Isso pode causar falta de oxigênio em uma região cerebral e perda de função neurológica.

Sinais possíveis incluem:

  • alteração súbita de coordenação;

  • fraqueza ou paralisia;

  • dificuldade para ficar em pé;

  • queda para um lado;

  • convulsão;

  • respiração anormal;

  • mudança brusca de comportamento;

  • confusão;

  • dificuldade para comer ou engolir;

  • perda de controle de urina ou fezes;

  • inclinação da cabeça associada a outros sinais neurológicos;

  • alteração no tamanho das pupilas;

  • cegueira;

  • letargia intensa;

  • coma.

Esses sinais são graves e precisam de atendimento veterinário.

Alguns ratos podem se assustar muito quando perdem coordenação ou mobilidade. Outros ficam irritados ao serem tocados. O tutor deve manter a calma, falar baixo, reduzir estímulos e manter o animal seguro até ser atendido.

O prognóstico depende da causa, da gravidade dos sinais, da saúde geral do rato e da rapidez com que ele recebe atendimento. Em alguns casos pode haver melhora parcial ou importante, mas primeiro é preciso descobrir o que realmente está acontecendo.

Conclusão

Ratos não são “pets simples” quando falamos de saúde. Eles são pequenos, delicados e escondem sintomas muito bem.

Por isso, o tutor precisa observar mudanças de comportamento, postura, respiração, peso, pele, apetite, interação com o grupo e aparência geral.

Quando algo parece errado, provavelmente vale investigar.

Na dúvida, procure um veterinário com experiência em animais exóticos. É melhor ouvir que não era nada grave do que esperar demais e perder a chance de tratar no momento certo.

© 2019 por Renata Pagliarini - Fanratics Rattery. 

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