Apresentando seus ratos a novos membros. Métodos eficientes de apresentação segura para ratos.
- Fanratics

- há 9 minutos
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Aumentar sua comunidade de ratos não é tão simples quanto apenas colocar novos membros na gaiola. Embora sejam animais de colônia, podem ser bastante territoriais quando seu território é invadido. Inserir um novo membro no grupo sem a devida apresentação pode ser visto como uma invasão por parte dos moradores da gaiola, podendo gerar estresse emocional, brigas sérias e até morte.
Apresentar os ratos de forma correta envolve gerenciar cheiro, território, espaço e estresse para inibir brigas e aumentar a chance de aceitação. Fazer essa apresentação com o método certo é o que mantém todo mundo seguro — às vezes você precisará testar abordagens diferentes: começar em um método e migrar para outro. Afinal, estamos lidando com animais, e cada um tem suas particularidades.
A palavra-chave para uma apresentação bem-sucedida é paciência. Siga o passo a passo com calma e controle sua ansiedade. Se algo der errado, recomece, troque de estratégia, mas jamais desista. Uma apresentação pode durar de um dia até algumas semanas; não tenha pressa.
Abaixo, apresentarei dois métodos que funcionam de verdade. Você pode encontrar outros tipos de apresentação na internet, mas não vou citá-los neste post, pois considero muitos deles arriscados e capazes de comprometer a segurança e o bem-estar dos seus ratos.
Protocolo de segurança - Siga a risca!
1) Quarentena:
Antes de iniciar a apresentação, o primeiro passo ao trazer um novo rato para casa é colocá-lo em quarentena, para evitar qualquer possível contaminação. Assim, caso o novo integrante esteja doente, você reduz o risco de transmissão para os demais ratos.
Durante a quarentena, é muito importante que o novo rato não fique no mesmo ambiente em que os seus ratos vivem. Se isso não for possível, deixe a gaiola do novo integrante o mais afastada que puder da outra.
A quarentena deve durar, no mínimo, 3 semanas. Nesse período, observe se o rato não apresenta sinais de doença, parasitas ou comportamentos anormais. Se notar qualquer sinal estranho, leve-o ao veterinário e reinicie a quarentena assim que o rato estiver curado.
Lembre-se de sempre lavar bem as mãos ao lidar com colônias distintas. Isso ajuda a evitar contaminação e também reduz o risco de mordidas, especialmente de animais mais dominantes.
2) Preparação pré apresentação:
Após o período de quarentena, chegou a hora de iniciar a apresentação. Escolha o método que você achar mais interessante para o seu caso e se prepare.
Preparativos:
Plano de separação: caso seja necessário separar os ratos — por exemplo, em uma briga mais séria — jamais coloque a mão nua entre os animais. Isso pode causar ferimentos graves em você. Tenha por perto, caso precise intervir: uma toalha ou pano grosso, ou uma luva antiperfurante (EPI), um spray com água limpa e um transporte ou gaiola extra para separar rapidamente, se necessário.
Idade para apresentação: alguns ratos adoram bancar os “tios e tias” de bebês, mas isso não é regra. Muitos ratos não suportam a presença de filhotes na gaiola e podem matá-los rapidamente (às vezes sem dar tempo de reação). Para uma apresentação mais segura, garanta que o filhote tenha, no mínimo, 3 meses; nessa idade ele já terá um bom tamanho e conseguirá se defender melhor, caso precise. Ratos muito idosos, que já apresentem sinais de idade avançada, devem ser apresentados apenas a filhotes (no mínimo 2 meses e meio) e jovens abaixo dos 4 meses. Nunca apresente um bebê sozinho a um idoso, pois o bebê vai querer brincar e o idoso não terá energia para acompanhar. Nesse caso, apresente no mínimo uma dupla. Isso também evita que o mais jovem fique sozinho quando o idoso partir.
Ambiente neutro: prepare um cômodo para fazer a apresentação, de preferência diferente do local em que seus ratos antigos vivem. Isso reduz bastante a territorialidade. O ambiente deve ser arejado, mas sem corrente de ar; calmo, sem muito barulho e sem estímulos estressantes. É importante que seja um local que nenhum deles conheça bem.
A gaiola utilizada para a apresentação (nos métodos que exigem) deve ser diferente das gaiolas usadas pelos ratos (novatos e veteranos), com cheiro neutro para ambos, de preferência sem andares, tocas ou outros acessórios. Apenas forração, ração e água devem estar presentes na fase inicial.
Odor: disfarçar o odor dos ratos também pode ajudar na aceitação de novos membros, principalmente se você tiver um rato muito dominante. Para isso, utilize produtos seguros com cheiro forte o suficiente para mascarar o odor natural. Extrato de baunilha e perfume para cães costumam funcionar bem nesse propósito inicial, mas atenção: ratos são sensíveis a itens aromáticos. Use essências e perfumes apenas no momento da introdução e não reaplique.
Alimentação e água: no início da apresentação, é comum os ratos novos ficarem de um lado e os veteranos de outro. Por isso, é necessário oferecer comida e água de um jeito que evite disputas e garanta que ninguém fique sem se alimentar. Nesta fase, ofereça apenas ração e água. Nada de petiscos diferentes, pois podem gerar brigas. A ração deve ser abundante e espalhada pela gaiola, sobre a forração. Potes podem incentivar disputas e inibir ratos tímidos de comerem. Distribua vários bebedouros (3 ou 4 são suficientes), de modo que eles possam beber sem “passar pelo corredor polonês”.
Florais de Bach costumam funcionar muito bem com ratos e podem ser bons aliados durante a apresentação. Existem florais específicos para introdução de novos animais, mas você também pode usar florais para estresse, medo, agressividade e ansiedade, caso esteja tendo dificuldades. Ainda assim, saiba que não é obrigatório.
Por ultimo, porém o mais importante: tenha certeza absoluta de que sua gaiola tem o tamanho necessário para a quantidade de ratos que você pretende manter. Uma gaiola pequena para muitos animais pode gerar conflitos, disputas territoriais e estresse constante, principalmente em machos e em ratos muito dominantes.
Às vezes, querer um novo rato não significa poder ter um novo rato. Se sua gaiola não tem tamanho adequado, prepare-se antes de adquirir um novo animal. Vejo muitas justificativas como “ah, mas ele estava sofrendo” ou “ia virar comida de cobra”, mas nada justifica tirar um animal de um sofrimento para colocá-lo — ou colocar seus outros animais — em outro.
Tenha sempre em mente a segurança em primeiro lugar. O objetivo da apresentação deve ser proporcionar companhia e bem-estar, e não gerar medo, desconforto e estresse.
3) Quando desistir e quando prosseguir
Fazer uma apresentação pela primeira vez geralmente é assustador para os tutores, mas não é um bicho de sete cabeças. É importante saber que ferimentos podem acontecer, e a decisão do que fazer depende da gravidade da situação.
Prosseguir com a apresentação - comportamento de dominância e ferimentos leves
Tufo de pelo arrancado
Comportamento de dominancia sem agressividade (eriçar os pelos, bundada, boxear, montar, chute, etc).
Perseguir e iniciar o comportamento de dominância (sem agressão).
Arranhões, beliscões, cortes superficiais (sem atingir a musculatura) e orelha rasgada: parecem piores do que são, então não se apavore. Ratos cicatrizam muito rápido. Faça a limpeza do local e aplique um antisséptico.
É possível que ocorram “lutinhas” ocasionais (barulho, guinchos, batidas). Vá olhar, mas só separe se for sério. Os ratos mais dominantes vão “mostrar quem manda” algumas vezes nos primeiros dias. Intervenha apenas quando os ratos estiverem se embolando e se machucando de verdade. Em qualquer outro caso, deixe que se resolvam: não importa quantos gritos você escute ou quantas perseguições ocorram, pois, se você interromper toda vez, essas disputas podem nunca terminar.
Parar a apresentação e tratar com urgência - corra para o veterinário
Esse tipo de interação não é comum. Ratos geralmente brigam em último caso, e interações violentas tendem a ocorrer quando se sentem obrigados a reagir, quando há problemas comportamentais (por nunca terem sido socializados) ou problemas hormonais (podendo exigir castração para correção do problema).
Sangramento que não para em poucos minutos.
Se embolarem em uma luta com unhas e dentes: intervenha inicialmente e, se voltarem a se embolar, pare a apresentação.
Ferimentos grandes com ruptura de musculatura, com ou sem evisceração (por exemplo, em área genital/testículos). Nesse caso, pare a apresentação. Não tente empurrar nada para dentro se algo tiver saído pelo corte. Apenas cubra a área com material estéril umedecido com soro fisiológico e corra para o veterinário.
A seguir, você vai aprender como fazer a apresentação segura para ratos (sempre do mesmo sexo) passo a passo, reduzindo estresse, evitando brigas e aumentando muito as chances de aceitação no grupo.
Método 01
Carrier Method ou Método do Espaço Controlado
Vou começar pelo método mais utilizado por criadores e, inclusive, é o que sempre utilizei. Esse tipo de apresentação costuma ser rápido e tranquilo — quando bem feito.
Pontos fortes:
É um método mais intenso, mas normalmente mais rápido que outros.
Costuma funcionar muito bem com machos e com ratos que seguem uma hierarquia bem definida.
Funciona muito bem na maioria dos casos.
Pontos fracos e limitações:
O método pode ser arriscado quando você tem ratos muito agressivos com outros ratos ou extremamente territoriais, pois podem ferir os demais durante a introdução.
Outra limitação é quando você tem um grupo em que todos evitam confronto ativamente, mas também não estão prontos para virar amigos. Isso pode gerar um “empate permanente”: ninguém briga, mas ninguém relaxa, e o grupo não evolui.
Em alguns casos, um rato que ficou sozinho por muito tempo pode ter perdido parte da habilidade de entender e responder adequadamente aos sinais sociais e pode ter mais dificuldade com este método, exigindo adaptações. Ratos que foram criados sozinhos a vida toda podem nunca ter aprendido a agir como ratos e, nesse caso, pode ser quase impossível aceitar ou ser aceito por outros.
Você precisará de várias gaiolas (no mínimo 3 antes da final), começando com uma pequena, que pode ser um transporte (onde permanecerão por pouquíssimo tempo), e aumentando conforme a apresentação evolui.
Atenção se você estiver fazendo o carrier em dias quentes: como os ratos estarão em um espaço restrito e próximos uns dos outros, eles podem superaquecer se o ambiente não estiver fresco e bem ventilado. Isso pode ser fatal, então é preciso extremo cuidado com o calor.
O que consiste o carrier
Colocar todos os ratos em uma gaiola pequena e ir aumentando gradativamente o espaço, conforme o bom comportamento, até chegar à gaiola final.
O método funciona porque o espaço menor diminui as vantagens de controlar e defender território. Com menos área para “possuir”, a necessidade de afirmar dominância tende a ser menor e menos intensa. Além disso, o espaço pequeno reduz a possibilidade de um rato simplesmente evitar o outro, então disputas de hierarquia podem se resolver mais rapidamente.
Outro ponto importante é que um espaço pequeno reduz a chance de lesões porque há menos espaço para corrida e perseguição. Muitos ferimentos em introduções acontecem quando um rato foge de um confronto e é agarrado durante a fuga. Ao limitar essa dinâmica, o método tende a diminuir esse tipo de acidente.
Esse método estimula que o grupo defina a hierarquia o mais rápido possível, para reduzir o tempo total de estresse.
Passo a passo:
Esse método começa colocando os ratos em uma gaiola ou caixa de transporte bem pequena. Nessa gaiola inicial, seus ratos ficarão por no máximo 40 minutos; ela serve para que fiquem próximos e não consigam evitar uns aos outros. Essa fase também ajuda a misturar os cheiros. Comece sempre colocando os novatos e, logo em seguida, os veteranos. Nesta primeira fase, não coloque comida; apenas bebedouros com água limpa e fresca. Lembre-se que em dias quentes, redobre a atenção e, se necessário, use ar-condicionado ou ventilador. Se notar que os ratos estão “suando” (molhados), interrompa a apresentação e recomece em um dia mais fresco.
Passados os 40 minutos iniciais, mude os ratos para uma gaiola um pouco maior. O espaço deve permitir que os ratos deitem esticados sem precisar ficar um sobre o outro e, de preferência, que ainda sobre um espacinho entre eles (sim, ainda estarão bem próximos). Daqui até a gaiola final, use apenas forração solta (não utilize tapetes ou panos), ração em abundância espalhada e 3 ou 4 bebedouros. A partir deste ponto, só avance para uma gaiola maior quando os ratos estiverem por 1 ou 2 dias convivendo bem, sem intrigas, briguinhas e claramente relaxados, sem se evitarem. Caso, ao mudar para uma nova gaiola, aconteça uma briga, retorne um passo.
Chegando na gaiola definitiva: após alguns dias ou semanas de excelente convivência, chegou a hora de colocar todos os ratos na gaiola onde irão morar definitivamente. Retire todos os acessórios e limpe bem a gaiola: lave com sabão neutro e higienize com água e vinagre. Os ratos irão para a gaiola ainda vazia, apenas com a forração solta, ração espalhada e água. Se a gaiola tiver andares móveis, retire todos (se possível) no primeiro dia. Com o passar dos dias, com a boa convivência, vá adicionando os andares e os acessórios abertos (redes e cestas) pouco a pouco. Tocas, acessórios fechados e túneis devem ser os últimos a serem colocados e, caso haja disputa ou briga por algum item, retire e espere mais um tempo antes de reintroduzi-lo.
Dicas e sugestões: Alguns tópicos podem parecer repetitivos, mas reforçá-los ajuda a evitar problemas.
Espalhe comida no chão do início até a gaiola final. Isso ajuda os ratos a se moverem juntos, se misturarem e reduz a chance de disputa por tigela.
Jamais faça apresentação com animais doentes.
Ratos machos com histórico de agressão violenta a outros ratos (mordidas graves nas costas e principalmente em genitais/testículos) podem estar com problemas hormonais e só devem passar por apresentação com outros ratos depois de 45 dias da castração (obrigatória nesses casos).
Se você travou na primeira gaiola, experimente levar o carrier para um lugar completamente novo em cheiro e contexto, como um passeio curto de carro, o lado de fora de casa (temperatura agradável e longe do sol) ou até a casa de algum conhecido. Isso pode distrair e fazer os ratos se aproximarem por estarem em um ambiente “assustador” em comum.
IMPORTANTE: depois que a introdução começa, os ratos não devem ser separados novamente, a menos que ocorram lesões reais que justifiquem interromper o processo. Brigas pequenas (de baixa intensidade) e gritaria sem agressão são consideradas aceitáveis e bastante comuns. Brigas agressivas ou violentas devem ser interrompidas sempre que possível e, se a interrupção falhar, os ratos devem ser separados.
Durante a apresentação, não faça solturas, pois isso pode gerar territorialismo e arruinar a apresentação. Este método funciona obrigando os ratos a definirem a hierarquia rapidamente, e para isso precisam dessa convivência limitada.
Não adicione nenhum acessório nas gaiolas transitórias. Você só deve adicionar itens na gaiola final conforme descrito.
Durante a apresentação, ofereça apenas a ração habitual. Petiscos e guloseimas podem gerar disputas desnecessárias, principalmente nas fases iniciais.
NÃO coloque acessórios fechados (tipo casinhas, caixas e cubo) e tubos até que os ratos estejam na gaiola final e convivendo muito bem. Estruturas com “beco sem saída” podem deixar um rato encurralado, aumentar defensividade, atrapalhar convivência e levar a brigas feias.
Cuidado com o excesso de ansiedade: os animais percebem quando estamos muito ansiosos ou estressados. Não fique em cima vigiando. Fique por perto, de ouvido, mas sair do ambiente pode ajudar, porque seu estresse piora o clima.
Método 02
Troca de Gaiola + Espaço Neutro
Este método tem uso bastante limitado e deve ser utilizado em casos específicos; jamais com animais muito territoriais.
Pontos fortes:
Ratos com poucos hormônios (muito calmos, pouco reativos), idosos ou debilitados, quando você quer reduzir ao máximo a pressão de um contato direto imediato.
Casos em que os ratos não estão acostumados a outros ratos e a disputas de hierarquia, mas não são machos hormonais nem indivíduos dominantes.
Ratos em situação emocional delicada, como luto: quando um rato não aceita uma nova companhia de imediato, mas também não deve ficar completamente sozinho. Nesse cenário, sentir o cheiro de outro rato pode ajudar a manter interesse e estímulo, servindo como ponte para aceitação futura.
Pontos fracos e limitações:
Não utilize com ratos muito dominantes, pois a presença de outro rato no mesmo ambiente pode gerar tensão e estresse, e você pode nunca mais conseguir apresentá-los.
Apresentações e separações repetidas podem aumentar os níveis de estresse, principalmente em grupos de machos, embora isso dependa dos indivíduos envolvidos.
O que consiste o método
Manter a gaiola dos novatos próxima a dos veteranos e fazer trocas esporádicas de itens e cheiros (passeios, panos etc.) até que possam se conhecer em ambiente neutro.
A ideia por trás desse método é trabalhar cheiro e território. Em teoria, os ratos vão se acostumando ao odor uns dos outros antes do contato direto. Isso reduz o estranhamento e faz com que o outro deixe de parecer um desconhecido total. Com o tempo, parte do cheiro se mistura (por contato indireto, objetos e ambiente), o que ajuda a formar mais cedo um “cheiro de grupo”, facilitando a aceitação social.
No espaço neutro, o principal é que o local não pertence a ninguém. Como não existe um “dono do território”, a tendência de defender o espaço com agressividade diminui e as disputas costumam ser menos intensas. Além disso, encontros repetidos em sessões controladas criam familiaridade aos poucos, permitindo progresso sem deixar a tensão crescer até virar briga séria. Como todos os ratos estão na mesma condição naquele ambiente e os cheiros já são familiares, isso cria uma base mais igualitária para o grupo se formar, sem um lado em vantagem por já ser dono do espaço. Quando os ratos ficam com odores mais parecidos, os recém-chegados se destacam menos, o que pode reduzir reações de rejeição e facilitar a integração.
Passo a passo:
Esse método começa colocando os ratos novos em uma gaiola próxima à gaiola dos veteranos, mas afastada o suficiente para que não possam se tocar ou morder através das grades.
Mantenha assim por alguns dias e, quando notar que estão tranquilos com a presença um do outro, troque panos e acessórios usados entre as gaiolas.
Quando notar que a troca de panos e acessórios não causa tanto estresse, troque-os de gaiola para “passeios” de algumas horas na gaiola do outro (todos os dias). Nesse ponto, eles ainda não devem se encontrar pessoalmente.
Após essa fase e quando notar que a troca de gaiola não gera estresse, mas sim curiosidade, faça a apresentação em local neutro. Dê preferência a um local que você não usa sempre para soltura e que permita controlar toda a interação. Não solte em um espaço muito grande, pois isso pode distrair demais os ratos. Após um período (entre 1 e 2 horas), os ratos são separados e voltam às suas gaiolas individuais. Você deve estar presente durante toda a soltura para intervir caso haja necessidade. A partir daqui, esse passo deve ser feito todos os dias. Pequenas brigas são permitidas, mas qualquer luta maior (embolados) que possa causar ferimentos deve ser interrompida e, se notar que continuam tensos e querendo brigar, separe.
Repita esse passo diariamente (uma vez ao dia) até que os ratos demonstrem desinteresse um pelo outro ou se tornem amigos. ATENÇÃO: se você perceber que, a cada encontro, os ratos ficam mais nervosos e agitados, pare de usar esse método, dê aos ratos uma ou duas semanas para se acalmarem (separe as gaiolas de comodo) e então tente outro método. Isso pode ser sinal de que as apresentações e separações repetidas estão aumentando o estresse em vez de reduzir.
Chegando na gaiola definitiva: chegou a hora de colocar todos os ratos na gaiola onde irão morar definitivamente. Este passo deve ser igual ao do método 1. Retire todos os acessórios e “zere” a gaiola: lave com sabão neutro e higienize tudo muito bem com água e vinagre. Depois, coloque os ratos na gaiola ainda vazia, apenas com forração solta, ração espalhada no fundo e água disponível.
Com o passar dos dias, se a convivência estiver tranquila, vá recolocando os itens abertos (redes e cestas) aos poucos. Tocas, acessórios fechados e túneis devem ser os últimos a voltar e, se algum item gerar disputa ou briga, retire e espere mais um tempo antes de tentar colocar novamente.
Dicas e sugestões:
Em alguns casos, pode dar mais certo apenas manter as gaiolas próximas uma da outra, sem fazer a troca completa de gaiolas.
No espaço neutro, esconda alguns pedacinhos de comida e coloque objetos interessantes, sempre abertos (nada que vire “beco sem saída”). Isso ajuda a ocupar os ratos e reduzir tensão.
Espalhe comida pelo local para manter eles farejando e andando. Evite dar comida em um único recipiente, a não ser que seja grande o bastante para todos comerem ao mesmo tempo.
Não ofereça petiscos diferentes, porque isso pode virar motivo de disputa.
Se o primeiro encontro for tranquilo, pode ser melhor emendar direto no método carrier, em vez de separar e recomeçar do zero.
Durante as apresentações, tente não ficar em cima o tempo todo. Fique por perto para intervir se precisar, mas mantenha alguma distância, porque alguns ratos podem ficar possessivos com o tutor.
Concluindo...
Embora pareça difícil e muito assustador no início, apresentar seus ratos pode ser bem tranquilo. Tenha calma e paciência, evite atropelar as etapas e, se algo der errado, volte um passo e recomece. Respeite o tempo de cada rato e observe, principalmente, a linguagem corporal. Se for preciso, filme a interação para analisar com mais clareza e, caso tenha dúvidas, nos envie pelo fórum do site ou pelo WhatsApp da ABRRE (se você for membro). Vou ficar feliz em ajudar.
Ratos são animais inteligentes e com comportamentos muito distintos. Por isso, use estes métodos como um guia, não como um manual rígido. Ajustes fazem parte do processo.
Se o seu rato não foi bem socializado com humanos, isso não significa que ele terá dificuldade para conviver com outros ratos. O que realmente importa é como ele se comporta com a própria espécie. Se ele convive bem com outros ratos (quando há essa referência), a tendência é aceitar melhor os novatos — muitas vezes ele só não gosta mesmo é de humanos.
Por outro lado, quando o rato já tem mais de um ano e meio e nunca conviveu com outros ratos, a apresentação pode ser bem mais difícil, especialmente se ele veio de locais onde filhotes são separados cedo demais (como criadores suspeitos, biotérios ou pet shops). Nesses casos, ele pode não ter aprendido a linguagem e os limites sociais da espécie. Ainda assim, não é impossível: alguns aceitam, outros não, e tudo depende do indivíduo e de como o processo é conduzido. Se ele ficou sozinho apenas por um período e já teve contato com outros ratos no passado, as chances de sucesso costumam ser maiores.
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